Educação
Com live neste sábado, Instituto Mário Alves comemora 20 anos
IMA completa 20 anos de foco na formação política das pessoas
Divulgação -
Em um contexto de pulverização política e de debates simplórios sobre as questões que envolvem a sociedade, completar 20 anos de cursos e estrutura física que contribuem para o aprofundamento da cidadania é motivo de comemoração. É isso que fará o Instituto Mário Alves (IMA), neste sábado (29), em live político-cultural disponibilizada no Youtube. Se apresentarão artistas como Maria Conceição, Ana Mascarenhas, Duglas Bessa, Teresa Ferlauto, Le Alves e Pedro Munhoz, além de depoimentos sobre a história do instituto e dos movimentos sociais de Pelotas.
O IMA surgiu em Pelotas como um centro de estudos políticos organizado pelos movimentos sociais atuantes em Pelotas. Nessas duas décadas, realizou diversos cursos, recebeu importantes pesquisadores e formou importante acervo sobre o tema através de biblioteca, videoteca e livraria, entre outras frentes estruturais.
O professor Renato Della Vecchia participa do instituto desde a fundação. Ele lembra que a estruturação foi um processo, assim como o foco do IMA foi se alterando de acordo com as pautas urgentes para determinados momentos. Dessas duas décadas, ele destaca eventos como o seminário realizado em 2004 sobre os 40 anos do bloco militar, que contou com a inscrição de 400 pessoas, além de cursos com abordagens sobre Revolução Russa, os 50 anos do golpe militar, além das atividades culturais e da construção do acervo da biblioteca
Na opinião do professor, de 20 anos para cá duas principais questões se modificaram no contexto da formação política: a primeira foi a diminuição do contingente de pessoas preocupadas com este processo. A segunda é o protagonismo da internet, que se por um lado democratiza o acesso a conteúdos importantes para o entendimento da sociedade, acaba por simplificar os confrontos. “Gerou-se um debate confuso sobre o que é a opinião das pessoas e o que efetivamente são fatos. Junta-se a isso o surgimento das fake news e das meias verdades reproduzidas sem contextualização acerca de questões que são bem mais complexas.”
Ainda que a realidade atual parece mais permeada por obstáculos, Della Vecchia acredita que promover a formação política tem o mesmo papel de sempre: ofertar um processo educacional no Brasil que fuja da educação formal. “Existe pouca formação sobre cidadania, sobre a nossa história, sobre como a economia funciona. Mesmo que haja dentro dos partidos políticos, é importante a defesa de posições diferentes, do confronto fundamental para a compreensão do processo político e construção de posicionamentos”, reflete.
A designer e fotógrafa Marília Brandão atua no IMA no momento no setor de comunicação. Na opinião dela, o papel do instituto no atual momento brasileiro passa por ocupar e fortalecer espaços plurais, pensar e propor alternativas, “além de promover debates que ajudem a compreender o período e como atuar nele.” Nesse sentido, as ações têm tido como foco os direitos humanos, a memória e a formação política.
No contexto da pandemia, claro, as atividades tiveram de ser adaptadas ao sistema remoto e os cursos presenciais deram lugar às lives. Um desafio para quem trabalha tanto com a teoria, quanto com a análise das realidades. “Tentamos, também, ocupar espaços junto às diversas entidades que estão pensando e propondo alternativas ao atual período. Para garantir a segurança de todos e pensando na coletividade, transferimos nossas atividades para o formato digital, optando por reuniões, lives e cursos online”, relata Brandão.
A designer comenta que a comemoração, muito mais que a data pura e simples, é uma forma de celebrar a comunidade criada pelo IMA, um conjunto de pessoas com o pensamento de que um outro mundo é possível. “Embora estejamos à distância, vivendo mais um ano difícil, queremos comemorar o tanto que já foi construído e, especialmente, comemorar junto a quem nos ajudou a construir a nossa luta. Uma luta plural, formada por muitas bandeiras, cores, ideias e pessoas. Uma luta que soma e constrói na diferença.”
Quem foi Mário Alves
Mário Alves foi um dos principais fundadores e dirigentes da luta contra a ditadura militar. Nasceu na Bahia em 14 de junho de 1923 e morreu, sob tortura, em 16 de Janeiro de 1970.Foi membro da UNE e participou ativamente da luta contra o nazi-fascismo. Entrou para o Partido Comunista Brasileiro, fez parte de sua direção estadual e, mais tarde, foi diretor dos jornais de grande circulação, do partido – a Imprensa Popular e o Novos Rumos. Aos 34 anos, foi eleito para o Comitê Central do PCB e, a seguir, para a Comissão Executiva Nacional. Em 1967, por divergências políticas, saiu do PCB. Em 1970 foi preso pela repressão política. No interrogatório, sob cruéis torturas, tombou finalmente morto.
Como contribuir
É possível associar-se ao IMA e poder contar com a estrutura física que dispõe de uma sede para reuniões e estudos, uma biblioteca, uma videoteca e um arquivo histórico. Atualmente as contribuições dos associados podem ser feitas de forma online, através do apoie-se (http://bit.ly/associeima).
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